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O que é envelhecimento ativo e qual sua importância?

Jornadas da Vida - Pais em Casa Por Jornadas da Vida – Pais em Casa
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ícone de calendário indicando a data da publicação​ Criado em 27/02/2023 | Atualizado em 02/03/2023

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Envelhecer é inevitável, mas isso não significa que uma boa qualidade de vida não possa ser mantida até o fim. Do mesmo modo, idosos não precisam se isolar, já que manter uma rotina social não é só possível, mas desejável para um envelhecimento ativo e saudável.

Esses são alguns dos princípios do conceito promovido pela Organização Mundial da Saúde. No documento, a instituição menciona políticas que podem ser promovidas em prol dos idosos, mas também desfaz estereótipos e estimula a participação social dessas pessoas.

Neste post, falaremos mais do conceito e sobre como os idosos podem praticar o envelhecimento ativo — e de que forma os filhos podem ajudar. Boa leitura!

O que é envelhecimento ativo?

envelhecimento ativo

O envelhecimento ativo é uma iniciativa global que visa otimizar as oportunidades de saúde e participação na sociedade de pessoas da terceira idade, bem como garantir a segurança desse grupo.

Ao mesmo tempo em que surgiu como um conceito da Organização Mundial de Saúde, ele também pode ser um conjunto de práticas dedicadas à melhoria da qualidade de vida dos idosos.

Nesse sentido, o envelhecimento ativo se aplica tanto individualmente quanto ao coletivo. A inciativa busca promover a ideia de que é possível desfrutar de bem-estar físico, social e mental na terceira idade.

Além disso, o envelhecimento ativo também propõe a participação das pessoas mais velhas na sociedade, de acordo com seus desejos, necessidades e capacidades.

Da mesma maneira, aborda a importância da criação de políticas que permitam aos idosos um modo de vida seguro, protegido e com os cuidados adequados.

O termo “ativo” se refere à participação contínua dos idosos nas questões sociais, culturais, econômicas e civis — e não somente à capacidade de estar fisicamente ativo ou de fazer parte da força de trabalho de um país.

Com o envelhecimento ativo, os idosos que se aposentam e os que apresentam alguma doença ou possuem necessidades especiais podem continuar a contribuir de forma ativa em relação aos seus familiares, amigos e à comunidade em que vivem.

Por que surgiu essa iniciativa?

O objetivo do conceito de envelhecimento ativo é aumentar a qualidade de vida de todas as pessoas que estão envelhecendo, inclusive as que são mais frágeis, fisicamente comprometidas e que requerem cuidados.

Conforme o Relatório Mundial de Envelhecimento e Saúde, publicado em 2015 pela OMS, que pode ser visto como o pontapé inicial da iniciativa, o envelhecimento ativo consiste no processo de desenvolvimento e manutenção da capacidade funcional, que possibilita o bem-estar, mesmo em idade avançada.

Além disso, segundo o relatório, também existe uma discriminação contra os mais velhos, com o estereótipo de que estes são dependentes ou um fardo — o que não condiz com a verdade.

Uma possível explicação para esse mito estaria no fato de que é esperado que as pessoas mais velhas fiquem doentes e não consigam produzir.

Embora o processo de envelhecimento traga perdas biológicas que afetam as capacidades mentais e físicas, ainda é possível minimizar e retardar esses impactos.

Para que isso ocorra, os cuidados relacionados à saúde física e mental dos idosos precisam iniciar com antecedência e se intensificar com o avanço dos anos.

Só assim os cidadãos se tornarão sujeitos ativos na manutenção do seu bem-estar, tanto físico como emocional.

Diversos fatores contribuem para o envelhecimento ativo e a participação dos idosos na sociedade. Podemos citar alguns:

  • cuidados com a saúde física;
  • manutenção da atividade cerebral, com atividades que estimulem a mente;
  • convívio social e familiar;
  • aprendizado contínuo;
  • combate ao sedentarismo, com atividades físicas;
  • participações no debate público e na sociedade.

Como impacta a sociedade?

O envelhecimento ativo surge como uma reação a um evento que ocorre em escala global: o envelhecimento populacional. Nesse sentido, a média de idade da população mundial tem subido cada vez mais, contrariando outros períodos na história.

O envelhecimento global é um fenômeno causado pelo declínio nas taxas de fecundidade — e não por conta de uma alta taxa de mortalidade, como algumas pessoas podem pensar. No Brasil, não é diferente.

Outro fator que contribui para o envelhecimento da população de inúmeros países, entre eles o Brasil, é o aumento da expectativa média de vida, que hoje é de 76,7 anos. Além disso, conforme a Organização Mundial de Saúde, esse cenário se intensificará.

Assim, segundo a OMS, até 2025, o Brasil terá cerca de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Com esse envelhecimento, é indispensável que os idosos tenham uma vida mais ativa e saudável.

Isso, tanto no sentido de que seus anos com idade avançada sejam bem vividos, quanto sob a ótima de que um grande número de idosos com problemas de saúde pode acabar sobrecarregando o Sistema Único de Saúde.

Contudo, o cenário não é totalmente assustador. Com o aumento de indivíduos idosos, será mais fácil socializar com pessoas em uma faixa etária parecida.

Além disso, com uma vida saudável, idosos terão maior disposição para continuar trabalhando, mesmo após a aposentadoria, caso esse seja o desejo da pessoa.

Assim, essa parcela da sociedade continuará possibilitada a contribuir para o país, envelhecendo de modo mais seguro e saudável.

Qual é a importância do envelhecimento ativo?

O envelhecimento ativo possibilita que os idosos percebam o seu potencial para viver em boas condições físicas e mentais, sem deixar que a idade avançada comprometa sua participação na sociedade.

É por isso, por exemplo, que a OMS enfatiza que o termo “ativo” não se refere somente a pessoas que ainda conseguem trabalhar ou se mantêm fisicamente ativas, mas todos os que participam da sociedade, mantêm uma vida social e desfrutam de hábitos saudáveis.

Nesse sentido, o objetivo é aumentar a expectativa, mas também a qualidade de vida. Agora, vamos citar alguns benefícios específicos de colocar esse conceito em prática.

Melhoria na qualidade de vida

A melhoria na qualidade de vida é um dos fatores mais recorrentes no relatório da OMS, que propõe algumas sugestões, programas e políticas que melhorem a vivência dos idosos.

A Organização Mundial de Saúde enfatiza a importância de colocar em vigor iniciativas que melhorem a vida de pessoas com deficiências e doenças crônicas, por exemplo. Assim como a oferta de serviços de reabilitação e apoio comunitário para familiares.

Políticas públicas, somadas a esforços individuais, têm efeitos em melhorar o dia a dia das pessoas idosas, tanto em relação a doenças quanto a acessibilidade, oportunidades de socialização, entre outros aspectos.

Construção de maior independência

Adotar o envelhecimento ativo como princípio é uma maneira de buscar maior independência para as pessoas mais velhas. Isso é construído ao longo da vida, com adoção de hábitos saudáveis que permitam chegar a essa fase com mais disposição, condições físicas e mentais para realizar atividades da rotina de maneira autônoma.

Contudo, essa construção também deve envolver políticas públicas que permitam uma rotina mais acessível e descomplicada para esse grupo.

Um exemplo é o investimento em transporte público acessível e com descontos ou gratuidade para idosos.

Outro, ampliação da quantidade de praças e outros espaços públicos seguros e acessíveis para que essas pessoas possam frequentar com objetivo de convivência e prática de atividade física.

Como buscar um envelhecimento ativo?

O envelhecimento ativo pode e deve começar o quanto antes, tanto em termos individuais quanto de políticas públicas. Isso significa que é interessante adotar hoje hábitos e mudanças de vida que terão impacto no futuro.

De toda maneira, é possível buscar melhores condições de envelhecimento sempre (ou seja, aos 40, visando os 60, aos 60, visando os 70, etc). Em termos individuais, veja algumas dicas para buscar o envelhecimento ativo:

Desenvolvimento de hábitos saudáveis

Além da prática de atividades físicas, sobre as quais falaremos com mais detalhes adiante, outra prática benéfica é procurar dormir bem.

Afinal, a privação e a má qualidade do sono podem afetar o funcionamento adequado do metabolismo e acelerar o declínio cognitivo. Por isso, é importante buscar aquelas 8 horas diárias necessárias para um bom descanso.

Outra dica é evitar o cigarro e bebidas alcoólicas, que causam sérios danos à saúde, aumentando as chances de que males como diabetes, Mal de Parkinson e hipertensão apareçam.

Outro hábito importante e frequentemente esquecido é o de beber água. Hidratar-se corretamente tem inúmeros benefícios, como:

  • regular a temperatura corporal;
  • combater toxinas;
  • transportar nutrientes para as células do corpo.

O recomendado é consumir, no mínimo, 8 copos de água por dia, o que seria o equivalente a 2 litros.

Estímulo cognitivo

Exercitar o cérebro é algo que contribui diretamente para as boas condições do sistema nervoso — e, consequentemente, para um envelhecimento mais saudável. Algumas das atividades recomendadas são:

  • leitura;
  • realização de palavras-cruzadas;
  • aprendizado de um novo idioma ou de um instrumento musical.

Melhoria na alimentação

A alimentação equilibrada é um dos pilares de uma vida com saúde, com impactos na terceira idade e também no momento presente das pessoas.

Uma dieta rica em alimentos processados, frituras, gorduras, açúcares e carboidratos simples eleva a possibilidade de que diversos problemas surjam, como:

  • hipertensão;
  • diabete;
  • colesterol;
  • obesidade.

Como se não bastasse, esses problemas podem ser apenas o início de males mais graves, como o câncer. Para reduzir as chances de isso acontecer, é essencial manter uma alimentação equilibrada e que não seja rica em ultraprocessados.

 Prática de atividades físicas

Atividades físicas estão diretamente conectadas à melhoria na qualidade de vida. Afinal, elas ajudam a controlar os níveis de glicose e colesterol, combatem as toxinas, melhoram a função cardiorrespiratória e circulação. Também é essencial para manter a saúde das articulações, dos tendões, dos ossos e da musculatura.

Sem contar que os exercícios também regulam a liberação de hormônios, fundamentais para o equilíbrio químico do corpo. Por isso, essa prática deve ser incentivada ao longo de toda a vida.

Como o relatório da OMS apontou, existe um estereótipo de que pessoas com idade avançada não têm mais capacidade física para se submeter ao esforço de um exercício. Isso não é verdade. Além do mais, é possível adaptar as práticas para as condições de cada um.

Chegar na terceira idade já com o hábito de praticar atividades físicas traz benefícios, mas isso não significa que começar a fazer exercícios apenas após os 60 anos não tenha vantagens. Sempre é tempo de começar.

Como ajudar os pais a terem um envelhecimento ativo?

Pode ser que os idosos se mostrem relutantes em iniciar atividades e novos hábitos por conta própria. Por isso, listamos as áreas nas quais os filhos podem ajudar.

Rotina social

Um dos aspectos em que os filhos podem ajudar os seus pais idosos é no estabelecimento de uma rotina social. Nesse sentido, algumas atividades que servem como exemplos são:

  • idas aos supermercados, padarias, feiras;
  • visitas à academia, aos parques e praças, para praticar exercícios;
  • idas a espaços públicos para exercitar o cérebro com jogos como damas, dominó ou xadrez;
  • visitas a cinema, teatros e outros espetáculos;
  • aprendizados em grupo, como aulas de dança ou de idiomas;
  • idas à casa de amigos, parentes e outras pessoas queridas.

Para que o envelhecimento ativo ocorra, é importante que o idoso tenha convívio social frequente, programação no dia a dia e que se sinta útil, ocupado na rotina — claro, sem sobrecargas.

Os filhos podem ajudar organizando visitas às casas dos familiares, propondo dias de almoço em família, buscando na internet atividades de agrado da pessoa que sejam em algum lugar próximo, bem como sendo companhia para as idas a programações culturais.

Combate ao sedentarismo

O conforto e o combate ao sedentarismo não são mutuamente excludentes. Muitas pessoas veem seus pais sossegados em suas poltronas favoritas ou deitados na cama e acreditam que aquele conforto é o suficiente para viverem bem.

Contudo, quando isso ocorre o dia todo, temos um caso de sedentarismo — um dos piores inimigos da boa qualidade de vida, em qualquer idade. Por isso, não deixe que essa rotina se instale de vez: estimule seus pais a praticar atividades físicas, como caminhadas.

Hoje, já existem personal trainers especializados em idosos, que podem fazer uma avaliação e propor uma rotina gradual de exercícios. Pode parecer duro no início, mas os ganhos em qualidade de vida serão uma recompensa inesquecível.

Também é possível buscar online grupos de prática de atividade física em espaços públicos próximos ou mesmo propor que o idoso faça atividade física na academia no mesmo horário de alguém da família, como forma de incentivo à frequência.

Hidratação e alimentação

Como mencionamos, muitas pessoas não têm o hábito de beber água regularmente. Corrigir isso é essencial para exercer o envelhecimento ativo.

Por isso, é importante reforçar o papel tanto da alimentação saudável como da hidratação. Uma dica é levar os pais a bons nutricionistas e pedir orientações claras para que um plano alimentar ideal seja elaborado, conforme a situação física deles.

Auxiliar na ida ao mercado e sugerir novas receitas também são opções para ampliar o leque de alimentos saudáveis. Se a pessoa em questão tiver alguma familiaridade com a tecnologia, enviar vídeos com dicas de alimentação ou mesmo vídeos de culinária saudável também pode ser uma boa.

Como você viu no artigo, o envelhecimento ativo é uma iniciativa que promove a conscientização para a situação social dos idosos. Por meio de algumas práticas, é possível tornar mais saudável a vida das pessoas de maior idade e inseri-las na sociedade. Os filhos têm um papel importante nesse contexto.

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